Carregando arquivo hist · vol.02 · 2bi
000
História
Disponível para estudo · agora
Volume02
Aulas14
Eras05

História não é o que aconteceu. é o que contam que aconteceu.

Uma travessia editorial pelo conteúdo de História do 2º bimestre — do óikos grego à Reforma de Lutero. 14 aulas reorganizadas como um único mapa mental que se atravessa rolando.

Conteúdo SEDUC-SP · Vol. 2 · 2ª ed.
Role  ↓  para começar
Grécia Antiga Roma Medieval Bizâncio Renascimento Reforma Grécia Antiga Roma Medieval Bizâncio Renascimento Reforma
— Capítulo 01 / 05
01

GréciaAntiga

séc. xii a.C. → séc. ii a.C. · aulas 01—04

Do óikos homérico ao surgimento da pólis. A invenção da política, da palavra como instrumento de poder, das Guerras Médicas e do Peloponeso, até o legado helênico de Alexandre.

Estátua grega
fig. 01O ideal helênico do corpo e da pólis
Grécia Pólis · Política · Palavra
Aula 01Pólis

Cidades-estado: política e identidade das pólis

Período Homérico (séc. XII–VIII a.C.): sociedade do óikos (casa = família, terras, dependentes, escravizados). Chefe do óikos concentrava poder. Agricultura de subsistência, pilhagens e guerras. Não existia cidadania.

Idade Arcaica (séc. VIII–VI a.C.): surgem as pólis. Aristocracia + pequenos proprietários + artesãos + escravizados. Cidadania para homens livres, participação em assembleias. Colonização do Mediterrâneo e Mar Negro (apoikía).

— Atenas
  • Democracia direta
  • Cidadãos · metecos · escravizados
  • Educação intelectual: filosofia, retórica
  • Mulheres com pouca autonomia
— Esparta
  • Oligarquia militar: 2 reis + Gerúsia
  • Esparciatas · periecos · hilotas
  • Agogê: disciplina e treino físico
  • Mulheres com grande autonomia

A pólis [...] implica uma extraordinária preeminência da palavra sobre todos os outros instrumentos de poder. — J. P. Vernant

Aula 02Guerras

Guerras Médicas e do Peloponeso

Guerras Médicas (492–479 a.C.) — união das pólis contra a expansão persa.

  • Maratona (490 a.C.): 10 mil hoplitas atenienses derrotam 30 mil persas.
  • Salamina (480 a.C.): vitória naval grega sob Temístocles.
  • Plateia (479 a.C.): vitória terrestre · recuo persa.

Guerra do Peloponeso (431–404 a.C.) — Liga de Delos (Atenas) × Liga do Peloponeso (Esparta).

  • 1º período (431–421): tratado de Nícias, paz por 50 anos.
  • 2º período (415–413): Alcibíades · derrota de Atenas.
  • 3º período (412–404): Esparta + persas vencem · Esparta hegemônica.

Consequência: enfraquecimento das pólis · crise econômica · perda de autonomia · ascensão de Tebas.

Aula 03Historiografia

Tucídides conta a história

General e historiador ateniense do séc. V a.C., autor de História da Guerra do Peloponeso.

  • Rompeu com a tradição mítica e religiosa.
  • Defendia explicações racionais por causa e efeito.
  • Buscava objetividade e distanciamento crítico.
  • Considerado o “pai da história moderna e científica”.

Os atenienses estavam tornando-se muito poderosos, e isto inquietava os lacedemônios, compelindo-os a recorrer à guerra. — Tucídides

Aula 04Helenismo

Bárbaros, gregos e o legado helênico

O conceito de bárbaro: quem não falava grego nem compartilhava de seus costumes. Categoria cultural, não racial — reforçava a identidade grega pela oposição ao “outro”.

Período Helenístico (séc. IV–II a.C.): Filipe II e Alexandre, o Grande, conquistam Grécia, Pérsia, Fenícia e Egito. Alexandre morre em 323 a.C., aos 32 anos — império dividido entre generais.

Cultura helenística: sincretismo cultural · grego como língua franca · ciência (Euclides, Arquimedes, Eratóstenes, Ptolomeu) · filosofia (estoicismo, epicurismo, ceticismo) · arquitetura monumental.

— Capítulo 02 / 05
02

RomaAntiga

séc. viii a.C. → séc. v d.C. · aulas 05—08

Da fundação mítica de Rômulo e Remo à Pax Romana de Augusto. Monarquia, República e Império — e a permanência dos conceitos de civilização e barbárie.

Coliseu de Roma
fig. 02O Coliseu — símbolo do poder e da Pax Romana
Roma Monarquia → República → Império
Aula 05Fundação

A formação da Roma Antiga

Fundada no séc. VIII a.C. (tradição: 753 a.C.) pela união de aldeias latinas, itálicas e etruscas às margens do rio Tibre.

Mitos fundadores: a lenda de Rômulo e Remo · a epopeia Eneida de Virgílio.

— Instituições da Monarquia
  • Rex — eletivo e vitalício; juiz supremo, comandante e sumo sacerdote.
  • Senado — conselho de anciãos (patres); escolhia o rei.
  • Assembleia Curiata — 30 cúrias de cidadãos; aprovava leis e o nome do rei.
— Sociedade
  • Patrícios — aristocracia descendente dos fundadores.
  • Clientes — dependência hereditária dos patrícios.
  • Plebeus — maioria; comércio, artesanato e agricultura.
  • Escravizados — prisioneiros e devedores; sem direitos.
Aula 06República

A República Romana e seus espaços públicos

Substituiu a monarquia distribuindo o poder em magistraturas e assembleias. O Senado controlava finanças, política externa e decisões militares.

— Lutas da plebe
  • Lei das Doze Tábuas — leis escritas.
  • Fim da escravidão por dívidas.
  • Acesso a cargos públicos · Tribunato da Plebe.
  • Tática da secessão e greves militares.

Expansão (séc. V–II a.C.): unificação da Itália · domínio do Mediterrâneo · mundo helenístico. Crescimento gera contradições: empobrecimento dos camponeses, escravidão em massa.

Res publica est res populi. — Cícero

Aula 07Império

Construindo o Império Romano

Expansão gradual: conquista da Itália → Cartago → reinos helenísticos.

Nova elite: famílias tradicionais + plebeus enriquecidos. Abaixo: camponeses, comerciantes, clientes, libertos, escravizados.

Disputas políticas, desigualdade e prestígio de generais (como Júlio César) enfraquecem as instituições republicanas. Otávio Augusto centraliza o poder e funda o Império, inaugurando a Pax Romana.

Cidadania como ferramenta: concedida a aliados (caso do poeta Árquias) — integrava povos conquistados, garantia lealdade e reforçava o exército.

Aula 08Conceitos

Bárbaros e civilizados: permanência dos conceitos

Grécia: bárbaro = quem não falava grego (distinção cultural).

Roma: ideia de Romanitas — ser civilizado = aderir às leis, à urbanidade e à autoridade de Roma. Celtas, germanos e persas eram estereotipados como bárbaros, ainda que houvesse intenso intercâmbio.

— Civilização
  • Razão (Aristóteles)
  • Disciplina militar (Heródoto)
  • Respeito a tradições (Cícero)
— Barbárie
  • Sem ordem natural de mando
  • Coragem desorganizada
  • Saque sem respeito a ritos
— Capítulo 03 / 05
03

IdadeMédia

séc. v → séc. xv · aulas 09—11

Ruralização da Europa, feudalismo, Cruzadas e a continuidade do Império Romano no Oriente — Bizâncio e sua arte como instrumento de poder.

Hagia Sophia
fig. 03Hagia Sophia — fé, arte e poder em Bizâncio
Medieval Feudalismo · Igreja · Bizâncio
Aula 09Feudalismo

Estrutura feudal: ruralização e o servo

Séc. V: declínio do Império Romano do Ocidente · crises internas · migrações germânicas (visigodos, ostrogodos, vândalos). Cidades perdem importância → ruralização.

Poder = posse de terras + capacidade de proteger. Surgem os senhores feudais: terra e proteção em troca de trabalho e lealdade dos servos.

— Servos × Escravizados
  • Escravizados antigos: propriedade, sem direitos, vendidos.
  • Servos medievais: vinculados à terra, com status jurídico, podiam formar família.

Esquema trifuncional (Dumézil): oratores, bellatores, laboratores — sacerdotes, guerreiros, camponeses.

Aula 10Cruzadas

Periodização, Cruzadas e historiografia

— Alta Idade Média (V–X)
  • Economia agrícola · servidão
  • Igreja Católica central
  • Três ordens: rezar, guerrear, trabalhar
— Baixa Idade Média (XI–XV)
  • Crescimento populacional · arado de ferro
  • Urbanização e comércio
  • Ascensão dos burgueses

Cruzadas (1095–1291): expedições militares organizadas pela Igreja para recuperar a Terra Santa. Promoveram contato comercial e cultural entre Europa e Oriente.

“Idade das Trevas”? Termo cunhado por renascentistas e iluministas. Pesquisas atuais mostram: surgimento das universidades, florescimento do comércio, desenvolvimento urbano. Não foi só estagnação.

Aula 11Bizâncio

O Império Romano continua no Oriente

Surge da divisão do Império em 395. Capital: Constantinopla — posição estratégica entre Europa e Ásia. Dura mais de mil anos.

Governo autocrático: o basileus concentra poderes políticos, militares e religiosos — representante de Deus na Terra.

Sociedade hierarquizada: imperador → nobres urbanos e rurais → trabalhadores livres → camponeses → escravizados.

Arte como política: mosaicos, ícones e igrejas (como a Basílica de Santa Sofia) transmitiam que o poder imperial vinha de Deus. Estado e Igreja indissociáveis.

— Capítulo 04 / 05
04

Renascimento

séc. xiv → séc. xvi · aulas 12 e 13

Humanismo, antropocentrismo e Revolução Científica. A redescoberta dos clássicos, a invenção da prensa e obras que se tornaram fontes históricas vivas.

Escultura renascentista
fig. 04O corpo humano como medida do mundo
Renascer Humanismo · Ciência · Arte
Aula 12Conceitos

Renascimento e Revolução Científica

Movimento cultural e intelectual (séc. XIV–XVI) impulsionado pelo crescimento das cidades e do comércio.

— Características do pensamento
  • Humanismo — inspirado em gregos e romanos.
  • Antropocentrismo — humano no centro (vs. teocentrismo).
  • Racionalismo · Individualismo · Classicismo
  • Hedonismo — corpo como fonte de prazer e beleza.
  • Naturalismo · Otimismo no progresso.

Revolução Científica (séc. XVI–XVII): observação, experimentação e raciocínio lógico. Bases do pensamento moderno.

Gutenberg (séc. XV): prensa de tipos móveis · barateia livros · acelera ideias · base para o Renascimento e a ciência moderna.

Aula 13Arte

Humanismo e estética nas artes

Análise de obras como fontes históricas:

  • A Criação de Adão (Michelangelo) — anatomia idealizada · dignidade humana como criação divina · manto-cérebro: sabedoria.
  • Escola de Atenas (Rafael) — Platão (mundo das ideias) × Aristóteles (mundo material) · síntese da razão clássica.
  • O Nascimento de Vênus (Botticelli) — mitologia clássica · proporção · resgate dos ideais antigos.
  • Baco e Ariadne (Ticiano) — cor expressiva · paixão pelo corpo e pela natureza.
  • A Última Ceia (Da Vinci) — perspectiva · luz · emoções dos apóstolos.
— Capítulo 05 / 05
05

ReformaProtestante

séc. xvi · aula 14

A ruptura que fragmentou a cristandade ocidental e abriu caminho para a Idade Moderna.

Bíblia antiga
fig. 051517 — 95 teses pregadas contra a Igreja
Reforma Lutero · 95 Teses · 1517
Aula 14Reforma · Contrarreforma

Quebra e continuidade da Igreja Católica

Contexto: expansão do pensamento renascentista · crescentes críticas à Igreja · venda de indulgências · vida de luxo do clero.

Martinho Lutero, Alemanha, publica as 95 Teses em 1517. Excomungado pela bula Exsurge Domine (Leão X, 1520), funda a primeira Igreja Protestante — o Luteranismo.

— Trechos das 95 Teses
  • 21. Erram os pregadores de indulgências quando dizem que pelas indulgências do papa o homem fica livre de todo o pecado.
  • 27. Enganam-se os homens que dizem que, logo que a moeda é lançada na caixa, a alma voa do Purgatório.
  • 36. Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem plena remissão do castigo e do pecado; ela lhe é devida sem indulgências.
  • 95. É preciso exortar os cristãos a esperar entrar no céu mais por verdadeira penitência do que por uma ilusória tranquilidade de espírito.
— Consequências
  • Salvação pela fé · livre exame da Bíblia.
  • Fortalecimento da nobreza — secularização de terras da Igreja.
  • Surgimento de outras correntes: Calvinismo, Anglicanismo.
  • Contrarreforma: Concílio de Trento, Inquisição, Companhia de Jesus.
  • Fim do mundo medieval · início da Idade Moderna.
— Modo prova / linha do tempo

O essencial em uma linha.

xii a.C.Período Homérico · óikos
viii a.C.Surgem as pólis · fundação de Roma
490 a.C.Batalha de Maratona
431 a.C.Guerra do Peloponeso
336 a.C.Alexandre, o Grande
27 a.C.Augusto · Império Romano
395 d.C.Divisão do Império · Bizâncio
476Queda de Roma · ruralização
1095Primeira Cruzada
séc. xvGutenberg · Renascimento
151795 Teses · Reforma

Glossário relâmpago

15 conceitos · prova-prova
PólisCidade-estado grega; espaço da política e da palavra.
ÓikosCasa como unidade social, econômica e produtiva.
AgogêEducação militar espartana — disciplina e coletividade.
ÁgoraPraça pública onde se debatia a vida da pólis.
ApoikíaColônia grega no Mediterrâneo e Mar Negro.
HelenismoSincretismo cultural após Alexandre, o Grande.
Res publica“Coisa pública” — interesses comuns dos cidadãos romanos.
Pax RomanaPeríodo de estabilidade iniciado por Augusto.
RomanitasCivilizado = aderir à lei, urbanidade e autoridade de Roma.
FeudoUnidade rural autossuficiente da Idade Média.
TrifuncionalOratores · Bellatores · Laboratores.
BasileusImperador bizantino — poder político e religioso.
HumanismoMovimento que recoloca o humano no centro.
IndulgênciaRemissão de pena vendida pela Igreja medieval.
95 TesesDocumento de Lutero (1517) que inicia a Reforma.